Hipnose, como acontece?

A Hipnose é um estado de concentração focada no interior.

Todos nós no nosso dia a dia entramos em hipnose acordada. Esse é um estado que ocorre naturalmente e que experimentamos no nosso dia a dia quando a nossa atenção está fixa e ficamos absorvidos por alguma coisa que nos interessa e esquecemos tudo o resto. Recorda-se de já ter feito um trajecto e estar tão absorvido pelos seus pensamentos que nem se recorda do trajecto em si?

Outros estados hipnoidais são experimentados entre o sono e a vigília, ao deitar ou ao acordar.

90% das pessoas são capazes de entrar em estados leves de hipnose, desses, entre 70% a 90% atingem estados de hipnose de meia profundidade e apenas 10% atingem estados profundos (sonanbulismo).

Nos estados hipnoidais a mente está mais disponível para as sugestões e por vezes estamos a sugerirmos coisas que não nos são benéficas, com pensamentos derrotistas ou negativos ” vais falhar” ” não vai correr bem”

Toda a hipnose é auto-hipnose, o paciente permite-se a esse relaxamento em que o inconsciente se manifesta com mais facilidade, como se estivesse mais poroso. Em estado de transe hipnótico clinica, memórias podem surgir com mais facilidade (hipermnésia) ou pelo contrário, podendo ocorrer amnésia (menos frequente); pode ser possível regredir a acontecimento passado e revive-lo com distanciamento ou com caraterísticas de revivificação (como se estivesse a acontecer agora), a mente pode experienciar o fenómeno de dissociação por exemplo: dissociar o afeto da memória traumática, existindo vários outros fenómenos. Um bastante frequente usado em hipnoterapia são as sugestões pós hipnóticas, ou seja sugestões que são dadas durante o transe hipnótico para que sejam postas à prova depois.

Em contexto de consultório o hipnoterapeuta é uma voz auxiliar que ajuda o paciente a entrar no transe hipnótico e utiliza a abordagem terapêutica mais adequada e previamente acordado com o paciente. O paciente não fica à merce do terapeuta, toda a hipnose é auto-hipnose. O paciente está consciente, apesar de estar com maior acesso ao inconsciente.

Muitos estudos verificam que os efeitos sugeridos por hipnose são acompanhados por alterações da atividade cerebral, sugerindo que os efeitos induzidos pela hipnose são “reais”. Podemos então dizer que para o cérebro imaginar e fazer, são as mesma coisa. Se eu imaginar que estou a comer um gelado o meu cérebro envia a informação para o meu corpo como se eu estivesse a comer o gelado, começando a salivar.

Usar este “poder” da mente para o nosso dia a dia pode trazer imensos benefícios. Posso visualizar como quero que uma determinada apresentação ou desempenho corra. De tanto visualizar o meu cérebro, chegada a altura enviará a informação para o meu corpo que experimentou em estado hipnoidal, nomeadamente sugestões de calma, segurança e tranquilidade.

A hipnose é uma das formas de usar estes recursos naturais da mente a nossa favor.

Tema da conversa com a Carla Alegra na Rádio Concelho de Mafra dia 29 de Outubro 2020.


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